Burundi determinado a ultrapassar crise

Banjul- Gâmbia (PANA) -- O Burundi "está resolutamente determinado a virar a página da crise", declarou quinta-feira Antoinette Batumubwira, ministra burundesa das Relações Exteriores e Cooperação Internacional.
"O Burundi está estável e resolutamente virado para a reconstrução", disse Batumubwira durante uma entrevista à PANA, em margem da 9ª sessão do conselho executivo da União Africana que ocorre actualmente em Banjul em prelúdio à cimeira dos chefes de Estado e de governo prevista na capital gambiana para 1 a 2 de Julho próximo.
"Chegou agora o tempo da estabilização e vamos, para o efeito, iniciar a fase de reconciliação que chega num momento oportuno", indicou o chefe da diplomacia burundesa, recordando que o seu país assinou diversos acordos e realizou eleições depois de vários anos de guerra e de crise interna.
"É preciso saber realmente o que aconteceu e virar a página, não se trata de reabrir as feridas, estamos agora prontos, as máscaras caíram agora e os nossos conflitos desmacarados.
Podemos agora falar e isto dá-nos muitas vantangens", insistiu.
Saudando os esforços desdobrados pela União Africana para a resolução da crise burundesa, Batumubwira indicou que o compromisso desta instituição continental foi muito determinante e muito apreciado e o seu país (Burundi) está pronto para dar a sua contribuição para UA a fim de a ajudar a apagar outros focos de tensão que ainda subsistem no continente.
"Não se trata da ingerência mas da solidariedade africana que acaba sempre por dar resultado positivo", estimou a governante burundesa refutando a tese dos que acusam a instituição continental de interferência nos seus assuntos internos.
Falando da posição das mulheres nas instâncias de decisão do seu país, Batumubwira indicou que estas tiveram apenas o que merecem e podem ir muito longe ainda.
Insistindo na luta em todas as frentes para a resolução do conflito, (as mulheres) acabaram por compreender que o seu lugar não é só nos lares mas também na construção e no desenvolvimento do país, indicou.
"As mulheres combateram e o partido no poder teve em conta da sua competência para as posicionar.
Não se trata apenas de mulheres, mas de todas as competências das diversas camadas sociais, pois este governo integra também muçulmanos, o que não foi o caso no passado", ressaltou.
"Hoje, ninguém está excluido e é o que é bom para uma reconciliação efectiva dos burundeses", concluiu.
Nota-se que o Burundi conta mais de 30 por cento das mulheres no seu Parlamento dirigido ainda por uma mulher.
São também fortemente representadas no governo (cerca de 30 por cento), e uma delas assume uma das duas Vice-Presidências do país.

29 Junho 2006 21:35:00




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