Briefing de Kabila sobre insegurança muito mediatizado em Kinshasa

Kinshasa- RD Congo (PANA) -- O briefing do Presidente congolês Joseph Kabila de quinta-feira última em Goma (capital de Kivu-Norte, leste) foi objecto de vários comentários publicados nas colunas dos jornais congoleses nesta semana.
"Kabila responde a Kagame", titula o Le Palmares, um diário próximo da oposição, que relata que o chefe do Estado, Joseph Kabila, realizou um briefing em dialecto local, o swahili, durante o qual afirmou que o Rwanda tem a ver com a retomada, a 28 de Agosto, dos combates em Norte-Kivu entre as FARDC (Forças Armadas da RD Congo) e os homens do CNDP do general dissidente Laurent Nkundabatware.
Segundo o Le Palmares, Kabila respondia assim ao Presidente ruandês Paul Kagame que tinha dito, numa entrevista ao diário belga Le SOIR, que os Nkundistas (homens do general Nkundabantware) têm doravante todo o necessário para levar a cabo a guerra contra as FARDC.
No mesmo contexto, o Forum des As, um diário independente de Kinshasa, nota que "Kabila promete uma solução por todos os meios".
Com efeito, o chefe do Estado, no seu briefing em Goma, prometeu que "o Governo congolês vai encontrar uma solução para a insegurança nas províncias de Kivu-Norte e Sul por todos os meios".
O Le Phare, favorável à oposição, sublinha por sua vez que o Programa Amani (encarregue da pacificação no leste da RD Congo) está avariado.
"O CNDP reclama Sun City II (Sun City I é o acordo de paz assinado na cidade sul-africana do mesmo em Abril de 2002) com o Governo central criado no final das eleições presidenciais e legislativas de 2006.
Mas, nesta fase, segundo o mesmo jornal, ninguém está em condições de dizer se estas negociações directas serão aceites pela Facilitação Internacional, a nova tutela da RD Congo.
Por sua vez, o L'Avenir, um outro diário de Kinshasa, próximo do poder instituído, relata que "Laurent Nkunda indicou durante uma entrevista a uma televisão americana, MSNBC, a sua intenção de derrubar Joseph Kabila para se tornar no Presidente da RD Congo".
Nessa ocasião, escreve o jornal, o general dissidente anunciou não apenas a sua ambição de se tornar no chefe do Estado congolês, mas também os meios de que dispõe para atingir este objectivo.
Ele agradeceu aos Estados Unidos a sua solicitude e apoio ao seu marketing, acrescentando no entanto nunca ter cometido crime nenhum pois, sublinhou, "isto é impossível para o pastor que sou".
Mas o L'Avenir pergunta-se o que está a ser feito para contrariar o marketing sonso deste homem que agasalha indivíduos procurados pelo Tibunal Penal Internacional (TPI) e que coloca várias centenas de milhares de Congoleses em situação de deslocados.

20 Setembro 2008 15:18:00


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