Brasil reitera consciência de dívida para com África

Dakar- Senegal (PANA) -- O Brasil continua a reconhecer que tem uma dívida para com o continente africano devido aos erros do passado, declarou quarta-feira, em Dakar, a vice-ministra brasileira de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Maria Inês da Silva Barbosa.
De acordo com a governante brasileira, o seu governo está, por isso, engajado em acções visando o melhoramento dos seus laços com o continente africano mediante um relacionamento que salvaguarde e promova a igualdade racial para impedir a repetição dos erros do passado.
"Todo o nosso empenho, todo o nosso trabalho é de facto para eliminar as desigualdades raciais, desconstruir o racismo", insistiu a vice-ministra, que participou nos trabalhos do Comité Internacional Preparatório à primeira Conferência de Intelectuais Africanos e da Diáspora marcada para Outubro próximo em Dakar.
O Comité esteve reunido de 3 a 5 de Maio sob os auspícios da União Africana, organizadora da próxima reunião de intelectuais em colaboração com o governo senegalês.
Em declarações à PANA à margem do encontro, Maria Inês Barbosa explicou que o seu governo apoia a iniciativa da União Africana de juntar os intelectuais do continente e da diáspora para reflectirem sobre os principais problemas que afectam África.
Na busca de soluções aos problemas económicos, políticos e outros em África é importante pensar também na diáspora, hoje tida como a sexta região de África, disse.
Sobre a população negra brasileira, Maria Inês Barbosa lembrou que dos cerca de 80 milhões que habitam no país muitos carecem de melhores condições de vida, acesso à educação e à saúde, habitação e emprego.
Assim, disse, o surgimento em Março do ano passado da Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial "é resultado de anos de luta de negros e negras que vivem no Brasil" mas que o governo reconhece "que tem uma dívida para com esta população".

06 Maio 2004 23:03:00




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