Banco Mundial lança nova estratégia de luta contra HIV/Sida em África

Washington- Estados Unidos (PANA) -- Um novo relatório do Banco Mundial (BM) lançado quarta-feira estima que os países africanos devem continuar a enfatizar os esforços de prevenção contra o HIV para retardar e enfraquecer o ritmo de novas infecções.
De acordo com o documento, para cada Africano infectado que inicia uma terapia antirretroviral (ART) pela primeira vez, quatro a seis outros são novamente infectados, num continente que continua a representar o epicentro mundial desta doença.
Actualmente, prossegue, os dados disponíveis mostram um recuo da prevalência da doença em países como o Quénia e em diferentes partes do Botswana, da Côte d'Ivoire, do Malawi e do Zimbabwe.
Cerca de 22 milhões e 500 mil Africanos são seropositivos e a sida é a primeira causa de mortes prematuras no continente, nomeadamente, a nível da população jovem produtiva e das mulheres.
Por conseguinte, nalgumas empresas privadas na África Austral, recruta-se dois empregados para cada posto de trabalho em previsão duma eventual perda de pessoal afectado pela doença.
Na apresentação do seu novo plano que visa ajudar os países africanos a lutar contra a pandemia, o BM lembra que mais de 60 por cento das pessoas que vivem com o HIV em África são mulheres, e que as jovens arriscam-se a infectar-se seis vez mais que os rapazes.
Estima-se em 11 milhões e 400 mil o número de crianças de menos de 18 anos de idade que perderam um dos seus pais por causa desta doença.
"Sendo a sida a primeira causa maior de mortes prematuras em África, não podemos falar dum desenvolvimento melhor e sustentável sem insistir na luta contra a doença a longo prazo", declarou Elizabeth Lule, responsável da Campanha Anti-Sida para África (ACTafrica).
A equipa da ACTafrica discutiu largamente com os países africanos, as pessoas que vivem com o HIV, as outras agências onusinas as companhias privadas e outros entes antes de elaborar a sua nova estratégia para África de luta contra o HIV/Sida.
O Banco Mundial mobilizou desde 2000 mais de um bilião e 500 milhões de dólares destinados a apoiar mais de 30 países da África subsariana no seu combate contra a epidemia.
No quadro do seu Programa de Acção de Luta contra o HIV/Sida, o Banco afasta-se do seu papel que consiste em levar "uma resposta de emergência" enquanto financiador principal dos programas de luta contra o HIV/Sida, para uma nova missão centrada em quatro novos objectivos.
A nível mundial, trata-se de aconselhar os países sobre a melhor maneira de gerir o financiamento internacional que recebem e, a nível local, ajudar os países a acelerar a aplicação de programas e investir no desenvolvimento sustentável a longo prazo face ao HIV/Sida.
Será também necessário reforçar o acompanhamento e a avaliação das capacidades dos países de identificar o bom funcionamento, a eficácia e a transparência da sua resposta face ao HIV/Sida, bem como ajudá- los a desenvolver sistemas de saúde e fiduciários mais poderosos.
A fusão entre os serviços de luta contra o HIV/Sida e os de saúde materna e reprodutiva, nutrição e outras doenças como o paludismo e a tuberculose poria termo a ineficácia de numerosos programas nacionais de luta contra o HIV/Sida ensaiados até agora.
Precisamente, o BM vai comprometer-se a dar uma contribuição de pelo menos 250 milhões por ano às iniciativas de luta contra o HIV/Sida, em função do pedido dos países.
Poderá instaurar um fundo de encorajamento à luta contra a pandemia de cinco milhões de dólares americanos por ano para promover o reforço das capacidades, a avaliação dos projectos de luta contra o HIV/Sida em diferentes sectores chaves como a saúde, a educação, o transporte, a gestão do sector público e outros projectos sectoriais.
"Após 25 anos de luta, é tempo de aplicar as lições tiradas da nossa experiência e reforçar o que funciona", refere o documento do BM reafirmando o compromisso a longo prazo desta instituição financeira de ajudar os países parceiros a alcançar o acesso universal à prevenção e tratamento do HIV.
Este esforço passará pela integração da sida nos programas nacionais de desenvolvimento, reforçando as respostas e os sistemas nacionais, declarou Peter Piot, director executivo do Programa Comum das Nações Unidas sobre a Sida (ONUSIDA).

15 Maio 2008 18:37:00


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