BM prevê despedimentos de 500 trabalhadores na companhia aérea cabo-verdiana

Praia, Cabo Verde (PANA) – Os despedimentos na TACV-Cabo Verde Airlines, a transportadora aérea cabo-verdiana, podem chegar aos 500 trabalhadores, segundo um relatório do Banco Mundial (BM), citado  esta semana pelo jornal cabo-verdiano “Expresso das ilhas”.

O despedimento é, segundo o BM, a “última tentativa” do Governo para privatizar a transportadora aérea cabo-verdiana.

"Ou funciona ou a empresa pode mesmo fechar as portas”, escreve o jornal, citando o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, que, entretanto, já garantiu
que não é propósito do Governo fechar a TACV.

Na segunda-feira, questionado sobre se o Governo tinha um plano para encerrar a companhia aérea de bandeira e se esta corria riscos de fechar, Ulisses Correia e Silva optou por não responder diretamente, dizendo apenas que o Governo estava a fazer tudo para salvar a companhia, mas não descartou a hipótese de encerramento.

"Do lado do Governo vamos fazer tudo para que a companhia continue a operar. Por isso é que estamos a reestruturar, a reduzir os custos operacionais, a reduzir pessoal para manter a companhia", disse, revelando que as operações internacionais vão ser privatizadas.

Por outro lado, disse, o Governo está à procura de um parceiro, pelo que "se a nossa opção fosse a liquidação, não iríamos procurar um parceiro".

O próprio relatório do BM alerta ainda para os riscos sociais que a redução de 500 trabalhadores poderá acarretar, por causa do “impacto negativo” num número significativo de famílias.

“Este impacto negativo poderá ser amenizado, em parte, pelas ‘relativamente generosas’ compensações asseguradas pela lei cabo-verdiana, assim como por um plano de pensões e benefícios para o pessoal despedido”, precisa o documento.

De acorco ainda com o texto, a TACV deu lucro, pela primeira vez, em 2014, devido à venda do handling à ASA (Empresa Segurança Aérea), mas voltou às perdas em 2015, com 32 milhões de dólares americanos só nesse ano.

"A empresa está técnicamente falida e o Tesouro está atualmente a pagar diretamente aos credores”, refere a mesma fonte, indicando que a companhia aérea cabo-verdiana enfrenta problemas financeiros e de tesouraria.

Por isso, o Governo diz estar a trabalhar num plano de reestruturação com vista à sua privatização, devendo o plano incluir cortes nas despesas de funcionamento da empresa e despedimento de trabalhadores, embora o Executivo não tenha ainda avançado quantos.

-0- PANA CS/IZ 18nov2016


18 Novembro 2016 14:40:21


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