Autoridade Palestiniana pede sanções africanas contra Israel

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A Autoridade Palestiniana apelou terça- feira os líderes africanos para adoptarem sanções contra Israel "do tipo do embargo de armas e boicote económico outrora decididos contra o regime de apartheid na África do Sul".
O apelo foi lançado em Addis Abeba pelo representante do Presidente da Autoridade Palestiana, Yasser Arafat, junto dos chefes de Estado africanos reunidos na III Cimeira da União Africana, na capital etíope, Farouk Kadoumi.
"São estas medidas que forçaram os racistas de Pretória a uma maior flexibilidade, conduzindo-os, contra a sua vontade, a libertar Nelson Mandela, abrindo uma nova época de paz e de liberdade de que a África do Sul acaba de celebrar o décimo aniversário", lembrou na sua intervenção na primeira sessão da Cimeira.
Kadoumi, que entregou uma mensagem enviada pelo presidente Yasser Arafat aos seus pares africanos, manifestou "toda a gratidão do povo palestiniano ao povo africano, pelo seu apoio constante em todas as instâncias diplomáticas".
Estimou que "nesta fase actual da sua política belicista onde Sharon ameaça suprimir até a vida dos mais altos responsáveis palestinianos, apenas sanções firmes poderão obrigá-lo a aplicar as resoluções 242, 154, e 292 das Nações Unidas".
Finalmente, chamou a atenção dos seus anfitriões para os prejuízos da política de terror instaurada pelo regime de Ariel Sharon, na faixa de Gaza e nos territórios ocupados.
"Ariel Sharon, que emitiu 14 reservas sobre o "roteiro da paz", considera que o processo de paz e os acordos de Oslo morreram.
Esta atitude negativa traduz-se no terreno da vida quotidiana em Gaza por crimes de guerra e actos de genocídio, perpetrados contra o povo da Palestina e que continuam até agora impunes", denunciou o alto responsável palestiniano.
O último relatório da representação do Progama das Nações Unidas para o Desenvolvimeno (PNUD) na Palestina regista assim uma taxa de desemprego de 50 por cento em Gaza e uma extrema pobreza que atinge 84 por cento das populações.
Cita ainda a morte de 400 pessoas, 25 mil feridos e a destruição de quatro mil casas, sem contar com o abate de árvores frutíferas, o enterro de perfurações, destruição de linhas telefónicas e deslocação forçada das populações para as obrigar ao exílio.

08 Julho 2004 11:54:00




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