Assassinato de Jean Hélène domina imprensa em Kinshasa

Kinshasa- RD Congo (PANA) -- O assassinato, terça-feira passada, em Abidjan, do correspondente da Radio France Internationale (RFI) neste país por um polícia inspirou os editorialistas dos jornais congoleses desta semana que consagraram longos comentários ao assunto.
Para o diário L'Observateur, a Côte d'Ivoire "não precisava de se incomodar com um tal cadáver, como há 10 anos o fez o Zaïre da época com o cadáver dum embaixador francês, também vítima de ajuste de contas a um nível que escapa ao entendimento do comum dos mortais".
"Há cadáveres que atrapalham.
O de Jean-Hélène é um deles.
Há erros que é preciso evitar : como o cometido sobre Jean-Hélène", concluiu L'Observateur.
"Jean-Hélène assassinado por uma propaganda de ódio", titula o diário L'Avenir que se contenta com a reprodução das reacções da imprensa ivoiriense.
Há algumas semanas, recorda este jornal, um conselheiro do Presidente Laurent Gbagbo, Toussaint Alain, foi até à televisão do Estado para afirmar que os jornalistas franceses "funcionam com malas cheias de notas".
"Tantos ataques contra a França e seus media, nomeadamente RFI e AFP, acusados de cumplicidade e de apoio à rebelião, retomados e amplificados pelos jornais pro-gouvernamentais", indica o jornal.
O Le Potentiel, um outro diário de Kinshasa, que dá todos os detalhes do assassinato de Jean-Hélène, revela um outro assassinato, até aqui incógnito, no final do primeiro trimestre de 2003, em Bunia, do journalista congolês Kasilembo, colaborador da Agence France Presse (AFP), "executado a sangue frio pelos homens do senhor de guerra Thomas Lubanga".
Mas o diário de Kinshasa observa que "o assassinato de Kasilembo fez pouco barulho".
"Jean-Hélène : lições duma morte gratuita" escreve, por sua vez, o diário Le Phare para quem "África permitiu-se, mais uma vez, a injuriar a sua própria dignidade".
"Através do assassinato do jornalista francês Jean-Hélène, na terra ivoiriense, é o conjunto do nosso continente que lembrou ao mundo inteiro que temos ainda caminho a percorrer na via da democracia, do respeito dos direitos humanos, do debate de ideias, da gestão dos nossos estados de almas", escreve Le Phare.
"O nosso congénere da RFI foi arrancado para sempre da afeição dos seus familiares por ter simplesmente procurado fazer o seu trabalho de informar, testemunhar", escreve ainda o journal.

25 Outubro 2003 20:22:00


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