Apelo para uma mesa redonda com vista a solução da crise do Pool

Brazzaville- Congo (PANA) -- O presidente da Agrupação para a democracia e desenvolvimento (RDD, oposição),Saturnin Okabé, convidou domingo, em Brazzaville, o governo congolês a organizar uma mesa redonda para buscar uma solução negociada e pacífica à crise armada na região do Pool, no Sul do Congo.
Esta mesa redonda deveria reunir todos os actores implicados para se buscar uma solução duradoura e definitiva e se pôr fim ao calvário das populações do Pool, disse por ocasião do 12º aniversário da criação da RDD.
"Se esta parte do país continou na guerra, o poder de Brazzaville tem uma grande responsabilidade nisto por causa não só do seu fincapé mais também do facto de ele não ter tido em conta as propostas feitas por outras sensibilidades sócio-políticas da sociedade congolesa", salientou Okabé.
Ele sugeriu a criação de um fundo para esta região.
"Face a região do Pool saqueada, massacrada e destruida, impõe-se a necessidade da criação de um fundo para o Pool, gerido por uma comissão nacional",advogou.
Este fundo deverá permitir socorrer as populações desta região que perderam quase tudo desde o início das hostilidades Actos de pilhagem são perpetrados pelos homems de farda.
Objectos saqueados do Pool são vendidos nos mercados do Norte de Brazzaville.
Recentemente, a oposição congolesa condenou os bombardeamentos de um centro de acolhimento de deslocados em Yangui, a cerca de 91 km a Sul de Brazzaville.
O governo justificou estes bombardeamentos, afirmando que foi a pedido das próprias populações que o exército bombardeou as posições das milícias Ninjas infiltradas na aldeia para maltratar os civis.
Segundo a imprensa, estes bombardeamentos fizeram 16 mortos e 20 feridos mas o governo reconheceu apenas cinco mortos do lado dos Ninjas.
Desde 29 de Março de 2002, recorde-se, que as forças governamentais enfrentam as milícias do Pastor Frederic Bitsango "Ntoumi", na região do Pool.
Estes confrontos provocaram a deslocação de vários milhares de pessoas.
Segundo uma fonte oficial, cerca de 300 mil pessoas oriundas do Pool estão refugiadas nas regiões circundantes de Bouenza, Lékoumou (Sul), de Plateaux e Brazzaville.
Por outro lado, Okabé pediu aos partidos de oposição para se reunirem com vista a um verdadeiro contrapeso democrático no poder em Brazzaville.
"Face a mediocridade rastejante e generalizada, face ao desastre lúgubre que mergulha lentamente mas seguramente o Congo no abismo do caos, as forças de oposição democrática, as que lutam pelo triunfo dos ideais de paz e concódia, devem levantar-se de todos lados e unirem-se num verdadeiro contrapeso democrático", indicou.
Desde o fim da guerra de 5 de Junho de 1997, afirmou o presidente do RDD, o Congo está actualmente à deriva, que precipita a desgraça de alguns cidadãos.
"Esta deriva autoritária dos vencedores da guerra não é dirigida contra todos.
Manifesta-se contra os que consideram "cidadãos de segunda ou terceira categoria" os que não são totalmente congoleses, porque não pertencem às Forças democráticas unidas (FDU-coligação dos partidos que apoiam o chefe de Estado congolês Denis Sassu Nguesso e pessoas próximas.
"Porém a triste realidade que daí resultou, é que alguns exilados que tiveram a coragem de serem testemunhas disto com a esperança de influir nas suas conclusões, foram sistematicamente vaiados a cada uma das suas intervenções", disse Okabé.
Criticou as instituições políticas de Brazzaville, acusando-as de terem confiscado e conduzido sozinhos as eleições gerais realizadas no Congo na primeira metade do ano 2002.
Criado a 2 de Dezembro de 1990 pelo ex-chefe de Estado congolês Jacques Joachim Yhombi Opango (de 1977 a 1979), no exilio desde o final da guerra de 1997, a RDD apelou ao boicote destas eleições gerais.
Esta formação política não dispõe nem de deputado nem de senador no Parlamento congolês.
É ainda a incarnação da ala dura da oposição congolesa no país.

09 Dezembro 2002 15:24:00


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