Luanda- Angola (PANA) – Pelo menos 11 dos 14 médic-os provenientes da RD Congo que solicitaram a sua certificação profissional pela Ordem dos Médicos de Angola são falsos, denunciou segunda-feira em Luanda o presidente da Ordem para a região norte, Teófilo Josenando.
Teófilo Josenando falava à imprensa no seu regresso da RD Congo onde integrou uma delegação da sua instituição que, de 12 a 15 de Abril corrente, esteve em Kinshasa para, entre outras questões, verificar a autenticidade dos documentos apresentados por aqueles supostos especialistas.
Segundo o médico, os processos dos 14 supostos médicos alegadamente formados a partir dos anos 90 passaram pela Reitoria da Universidade Agostinho Neto, a única instiuição pública de ensino superior em Angola, que, por falta de mecanismos de detecção de falsos diplomas, lhes atribuiu a devida equivalência.
Durante os encontros mantidos com responsáveis da instituição congénere em Kinshasa, a delegação da Ordem dos Médicos de Angola liderada pelo seu bastonário João Bastos constatou "elementos duvidosos" tais como nomes diferentes nos diplomas e nos bilhetes de identidade, traduções também duvidosas e timbres não uniformizados de uma mesma instituição, entre outros vícios.
Outros processos exibiam nacionalidades divergentes nos diplomas e nos bilhetes de identidade, naturalidades opostas entre os documentos escolares e os de indentificação pessoal, nomenclatura não adequada de apelação dos primeiros anos da faculdade de medicina, rasuras e assinaturas duvidosas.
Dúvidas sobre a autenticidade do número atribuído pela Ordem dos Médicos da RD Congo e sobre o estatuto das instituições que outorgam os diplomas aos médicos, falta de sequência nos anos de estudo e documentos originais são outras irregularidades verificadas nos referidos processos.
Dos 11 médicos declarados falsos, dois trabalham em instituições públicas na capital angolana um dos quais a leccionar no pólo universitário do Uíge, enquanto os restantes laboram no sector privado incluindo igrejas e Organizações não Governamentais.
Teófilo Josenando, também professor associado da Universidade Agostinho Neto, disse ter a sua delegação sido informada da existência na RD Congo de 25 Faculdades de Medicina, mas que apenas três são reconhecidas como tal pela Ordem dos Médicos daquele país, designadamente as de Kinshasa, Lubumbashi e Kisangani.
A missão da delegação angolana visava igualmente inteirar-se do sistema de formação de médicos naquele país, dos critérios de reconhecimento dos médicos na Ordem e dos mecanismos de falsificação.