Ameaças contra democracia fazem manchete no Malawi

Blantyre, Malawi (PANA) -  A persistente crise entre o Governo do Malawi e as organizações da sociedade civil que conheceu o seu paroxismo com as manifestações maciças de 20 de julho passado em todo o país, fazendo pelo menos 20 mortos, voltou a dominar a imprensa a semana finda.

«ONG exortam TPI a investigar sobre eventos de 20 de julho”, é o título do Week-end Nation que noticia que uma delegação de três líderes da sociedade civil se deslocou na semana passada aos Países Baixos para processar judicialmente o Governo malawí diante do Tribunal Penal Internacional (TPI) após os eventos de 20 julho.

« O nosso apelo ao TPI apenas solicita um inquérito e o julgamento dos autores dos massacres», noticia o semanário que retoma as declarações de Gift Trapence, um dos ativistas.

Após as manifestações em causa, o Presidente Bingu wa Mutharika instaurou um Grupo Presidencial de Contacto e Diálogo (PCDG) para estudar a plataforma de 20 pontos submetida ao Governo pelas organizações da sociedade civil sob a égide das Nações Unidas.

Mas segundo o jornal The Nation, numa materia sob o título «Sociedade civil boicota diálogo”,
as negociações foram interrompidas na sequência das ameaças proferidas pelo Presidente Mutharika aos líderes da sociedade civil e da destruição de bens pertencentes a dois deles.

« Sublinhamos o facto de que o diálogo não pode exitar num clima de desconfiança, intolerância, arrogância, falta de lealdade, dupla linguagem, violência e ameaças, insegurança,  impunidade e ausência de respeito mútuo para as equipas envolvidas no diálogo », afirma uma correspondência da sociedade civil ao representante residente das Nações Unidas, Richard Dictus.

Por outro lado, acrescenta o documento, não se pode prosseguir estas negociações "quando continuamos a sofrer ameaças de detenção e de violência por parte de pirómanos".

« Malawi dirige-se para a autocracia », intitulou o The Daily Times, citando um relatório de 2010 sobre a situacão da governaçao elaborado por um grupo de organizações da sociedade civil denominado Plataforma do Espaço Civil e Político.

Segundo este jornal, o Malawi "caminha progressivamente para a ditadura devido à falta de respeito da Constituição e do Estado de Direito, à intolerância e à emergência de violência política  que o Governo tem estado a demostrar".

Negociações sob a égide das Nações Unidas permitiram impedir outras manifestações que estavam previstas para 17 de agosto passado, mas, depois do fracasso das negociações, os líderes da sociedade civil apelaram para novas manifestações a 21 de setembro corrente.

« Não temos a intenção de voltar a sair a rua para manifestações pacíficas mas somos obrigados », escreve The Nation, retomando as declarações de Billy Mayaya, um dos organizadores das manifestações.

« Estamos engajados neste processo (diálogo), mas o Governo dececionou-nos muito. Vamos retomar as manifestações a partir de 21 de setembro para levar o Governo a satisfazer  a nossa plataforma de 20 pontos elaborada a 20 de julho ».

Para sublinhar a deriva para a qual tende o Governo do Malawi, o Sueco de origem malawiana Jim Jumanio Immanuel Johansen, 38 anos de idade, que fez manchete ao declarar ser filho biológico do Presidente fundador Hastings Kamuzu Banda, juntou-se ao movimento.

Por seu turno, o Malawi News noticia, sob o título « Jumani ameaça matar Bingu », a detenção de Jim Jumani Immanuel Johansen.

« Jumani fazia-se acompanhar de uma mulher quando declarou (a um polícia que assegura a proteção da residência privada do Presidente Mutharika)  voce guarda este homem estúpido que massacra os inocentes?  Também posso matá-lo », escreve o diário, citando o porta-voz da Polícia, John Namalenga.

-0- PANA RT/MA/ASA/AAS/MAR/IZ 17set2011

18 Setembro 2011 10:23:40


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