AI interpela Estados Unidos sobre vítimas de ataques na Somália

Dakar- Senegal (PANA) -- A Amnistia Internacional (AI) exortou o Governo americano a se explicar sobre as informações que apontavam para a morte de pelo menos 30 civis durante os recentes bombardeamentos aéreos lançados pelos Estados Unidos no sul da Somália.
Numa carta enviada ao secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, a Amnistia "solicita com urgência" informações sobre os ataques aéreos e explicações sobre as medidas tomadas pelas forças americanas a fim de evitar perdas de vidas no seio da população civil.
"Estamos preocupados pelo facto de civis terem sido talvez mortos devido ao desrespeito do direito internacional humanitário", nota um comunicado da Amnistia Internacional publicado esta semana citando Claudio Cordone, director principal do Programa de Pesquisa.
"Desejamos que o Governo americano nos diga se as suas forças tomaram as precauções necessárias a fim de fazer uma distinção entre os civis e os combatentes escolhendo os meios e os métodos a instaurar para o seu ataque", sublinha a nota.
As autoridades não deram pormenores sobre os ataques aéreos na Somália, mas um porta-voz do Pentágono explicou que um helicóptero de combate AC-130 do Exército aéreo ameriano foi utilizado a 7 de Janeiro para atacar os "principais dirigentes de Al-Qaeda" que operam na parte sul da Somália.
Parece que o bombardeamento à cidade de Hayo, próximo de Afmadou, visava três elementos da Al-Qaeda suspeitos de envolvimento nos atentados perpetrados contra as Embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia.
Resta apurar se os três indivíduos foram mortos durante o ataque.
Aparentemente, eles terão sido localizados em debanda em finais de Dezembro em Mogadíscio com combatentes da União dos Tribunais Islâmicos pelas forças etíopes que apoiaram as tropas do Governo Federal de Transição.
A Amnistia Internacional escreveu igualmente às autoridades quenianas para lhes instar a reabrir a sua fronteira, encerrada a 2 de Janeiro, aos refugiados que fogem do conflito.
Dezenas de milhares de pessoas foram deslocadas pelo conflito em curso no sul da Somália, uma região já gravemente afectada por uma crise humanitária consecutiva às inundações de 2006.
O Governo queniano anunciou o encerramento da sua fronteira para impedir a entrada dos combatentes da União dos Tribunais Islâmicos fazendo-se passar por refugiados.
"O Governo queniano deve fazer uma distinção entre os combatentes e os civis e respeitar as suas obrigações para com os refugiados em virtude do direito internacional", afirmou Cordone.

12 Janeiro 2007 10:29:00




xhtml CSS