AI pede libertação de dois militantes antiesclavagistas mauritanos

Paris, França (PANA) – A Amnistia Internacional (AI) pede às autoridades mauritanas para libertarem dois militantes antiesclavagistas detidos sem julgamento há dois anos e vítimas atualmente de atos de tortura no país.

"O Presidente Mohamed Ould Abdel Aziz deve libertar incondicionalmente dois militantes antiesclavagistas detidos unicamente por terem exercido o seu direito à liberdade de expressão e denunciado a injustiça", declarou a AI sábado último.

A AI aproveitou a oportunidade tendo em conta a realização, em Nouakchott, domingo último, da  31ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA).

Trata-se de Moussa Biram e de Abdallahi Matallah Saleck detidos a 29 de junho de 2016 em Nouakchott, após uma manifestação contra uma expulsão forçada que devia realizar-se no mesmo dia sem os mesmos terem organizado nem participado no evento, indignou-se a AI.

« Detidos num local secreto, os dois homens foram torturados durante os primeiros dias da sua detenção. A 23 de novembro de 2016, eles foram condenados a três anos de prisão, dos quais um de prisão suspensa, por incitação a motins e à revolta violenta contra o Governo”, denunciou.

Em dezembro de 2016, após o seu julgamento, Moussa Biram e Abdallahi Matallah Saleck foram transferidos para uma cadeia longínqua, a mil e 200 quilómetros da cidade capital, onde estão amiúde detidas pessoas condenadas privadas de visitas de seus advogados e de seus parentes.

« O casos destes dois militantes antiesclavagistas não é isolado : as autoridades mauritanas continuam a negar a existência de escravatura e de discriminação reprimindo no entanto  defensores dos direitos humanos que contestam este discurso oficial », indicou a AI.

"Durante a cimeira em Nouakchott, a Assembleia da União Africana não deve manter o silêncio face às violações dos direitos humanos e às violências na Mauritânia. Os chefes de Estado e de Governo que participam nesta cimeira devem aproveitar a sua presença no país para pedir às autoridades mauritanas para porem termo à detenção arbitrária de todos os militantes antiesclavagistas, nomeadamente o blogueiro Mohamed Cheikh Ould Mkhaitir”, concluiu a AI.

Desde 2014, a organização para a defesa dos direitos humanos vem recolhendo informações sobre a captura arbitrária de mais de 168 defensores dos direitos humanos, dos quais pelo menos 17 vítimas de atos de tortura e de outras formas de maus tratos.

-0- PANA BM/BEH/FK/DD 2julho2018

02 Julho 2018 13:51:53


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