Agências da ONU discutem melhoramento da situação em Darfur

Nova Iorque- Estados Unidos (PANA) -- Agências onusinas, organizações humanitárias e países doadores estão a discutir com o governo sudanês, em Nova Iorque, o melhoramento do acesso à região de Darfur onde os activistas humanitários se queixam de obstáculos e restrições no exercício das suas actividades.
O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse que, embora melhorias significativas tivessem sido registadas nas últimas semanas, havia ainda atrasos e problemas na inscrição das ONG e entrega de equipamentos e abastecimentos pelos Serviços Alfandegários.
"Os precedimentos continuam burocráticos e incoerentes e há sempre atrasos", declarou.
No escritório da Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) verificou-se, nas últimas semanas, um rápido crescimento do número de ONG que trabalham em Darfur devido à atenção que a comunidade internacional consagra à crise humanitária na pobre região", anunciou.
Dujarric revelou que 20 ONG já tinham começado a operar em Darfur e que 10 outras estariam no local brevemente.
Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas do interior do país e pelo menos 150 mil refugiaram-se no vizinho Tchad vizinho desde o eclodir do conflito entre o governo sudanês e dois grupos rebeldes, designadamente o Movimento para a Justiça e Igualdade (MJE) e o Movimento para a Libertação do Sudão (MLS).
Os aliados do governo, as milícias árabes Janjaweeds cometeram muitas violações dos Direitos Humanos com os seus desmandos contra as populações negras da região, segundo um relatório dos organismos de defesa dos Direitos Humanos da ONU pulicado segunda-feira última.
Entre os abusos, cita-se principalmente massacres, estupros, saque e destruição de aldeias.
Sexta-feira última, Kofi Annan -- que visita o Sudão esta semana para se inteirar da situação em Darfur -- anunciou que as populações de Darfur "estão a viver uma catastrofe" e qualificou os desmandos dos Janjaweeds de actos "tangentes à depuração étinica".
Durante a discussão sobre os obstáculos e atrasos observados em Cartum, Dujarric declarou que as agências onusinas e ONG expressaram, por seu turno, as suas preocupações em relação à protecção do seu pessoal e dos civis.
Apesar do pedido de um oficial do governo sudanês para limitar as armas das milícias, as agências humanitárias deram a conhecer que a situação ainda não melhorou de maneira notável.

30 Junho 2004 20:38:00




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