ACNUR quer melhor coordenação de actividades humanitárias em Darfur

Cartum- Sudão (PANA) -- A directora da protecção internacional no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Erika Feller, apelou às autoridades sudanesas e as agências humanitárias que operam em Darfur (Oeste do Sudão) para coordenar melhor as suas actividades e evitar novas deslocações de pessoas devido às violências.
"Embora haja sinais duma maior estabilidade em certas zonas, a situação em Darfur continua marcada de maneira imprevisível por violências e ameaças à segurança das populações", indignou-se sábado Feller num relatório sobre as conclusões do seu périplo de avaliação de três dias.
"A situação é particularmente preocupante para mulheres que se aventuram fora dos campos e das aldeias para acarretar água e colher lenhas", alertou Feller, estimando em 70 mil o número de deslocados no oeste de Darfur.
Apesar dos esforços envidados para prevenir as violências sexuais, casos de violações continuam a ser registados.
Outros problemas sérios de protecção como os que afectam crianças não beneficiam duma atenção suficiente", deplorou a directora da protecção internacional no ACNUR.
"Os que estão envolvidos nos esforços de protecção deve ter recursos para reforçar a sua presença e suas actividades.
A protecção tem também um custo.
Há um fosso ente os discursos e o apoio financeiro às actividades de protecção", indicou Erika, revelando que dos 31,3 milhões de dólares americanos prometidos para levar a cabo a sua operação, o ACNUR recebeu apenas 3,9 milhões.
A funcionária do ACNUR sublinhou que a reconciliação a todos níveis é um elemento essencial para qualquer melhoramento duradouro da situação, frisando ainda ser essencial que os recursos naturais em Darfur sejam preservados para evitar outras deslocações e outros conflitos a curto e médio prazos".
Feller declarou que um esforço contínuo conjunto da comunidade internacional, em colaboraçáo com as autoridades sudanesas, para proteger a população de Darfur, deve ser baseado numa compreensão aprofundada "desta dinâmica".
Por outro lado, as negociações de paz em Abuja, capital federal nigeriana, entre o governo e os grupos rebeldes do Movimento de Libertação do Sudão e do Movimento Justiça e Igualidade estão bloqueadas desde sábado, duas semanas depois da sua abertura.
Cerca de dois milhões de pessoas abandonaram as suas casas em Darfur desde que os rebeldes se revoltaram em Fevereiro de 2003.

26 Junho 2005 18:00:00




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