A bio, esteio do futuro para as agriculturas africanas(FIDA)

Roma- Itália (PANA) -- O mercado dos produtos biológicos está em plena expansão e pode ser o esteio para milhões de agricultores africanos, estima o Guinense Mohamed Béavogui, Director do departamento África Ocidental e Central no Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola(FIDA), em Roma.
"Na nossa política que consiste em ajudar o mundo campesino a produzir melhor e a investir em actividades geradoras de receitas, nós encorajamos as pessoas a se engajarem na agricultura biológica cujo mercado cresce a razão de 20 por cento ao ano", declarou aquele funcionário durante uma entrevista a PANA.
"A agricultura biológica utiliza menos 'inputs', responde as exigências de qualidade dos consumidores e o produtos custam de 20 a 30 por cento mais caros no mercado.
Apelamos ao mundo rural africano a explorar esta nova via", prosseguiu.
Para dar um exemplo, o FIDA apoia uma operação piloto de cultura de cacao aromático/biológico em São Tomé e Príncipe.
Com o objectivo a prazo de 1.
000 toneladas de cacau comerciável, São Tomé e Príncipe vai juntar-se assim aos países latino- americanos que dominam neste momento este esteio que representa 2,7 por cento do mercado mundial, ou seja cerca de 800.
000 toneladas.
"Não deixamos que os agricultores enfrentem sozinhos o desconhecido.
Fazemos também com que os compradores se interessem cada vez mais por este mercado.
O cacau biológico de São Tomé será comprado pela sociedade francesa KAOKA.
O efeito esperado no apoio a cultura biológica do cacau é a comercialização dum produto fortemente valorizado e relativamente ao abrigo das flutuações erráticas dos preços mundiais", acrescentou.
O FIDA investiu 143.
949 dólares em 18 meses nesse projecto que se baseia numa plantação de média dimensão de 300ha.
Reune também 320 explorações familiares( dos quais 120 pertencem a mulheres) e totalizam 940 hectares distribuídos no quadro da reforma fundiária.
De acordo com Mohamed Béavogui, o FIDA prevê tentar a mesma experiência com os legumes.
Tais iniciativas não podem ser levadas a cabo com sucesso num clima de instabilidade, sublinhou.
Precisou que "vários países onde nós levamos a cabo estes projectos estão em conflito ou em situação de pós-conflito.
O que obriga os rurais, a nossa população alvo, a procurar primeiro a sua sobrevivência".
"Com 60 a 80 por cento das populações que habitam em zonas rurais, de acordo com os países, a agricultura é o primeiro empregador dos nossos Estados.
Quando nos encontramos na incapacidade de mobilizar esta força, compromete-se fortemente o desenvolvimento", disse Béavogui.

20 Fevereiro 2003 17:49:00


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