6º aniversário da insurreição armada muito mediatizado em Abidjan

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O sexto aniversário do início da insurreição armada de 19 de Setembro de 2002, que finalmente resultou numa tentativa de golpe de Estado e de divisão do território ivoiriense em duas partes, não escaparam aos diários "abidjaneses" da semana finda que individualmente celebra, da sua maneira, este evento que marcou duravelmente a história da Côte d'Ivoire moderna.
"19 de Setembro de 2002/19 de Setembro de 2008 : Uma nação nasceu.
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das cinzas da crise", intitula o diário governamental o Fraternité Matin que "celebra a ressureição da Côte d'Ivoire".
"Estes eventos iniciados a 19 Setembro de 2002 não mataram a alma dos Ivoirienses.
Eles demostraram as suas capacidades para permanecer fieis ao seu instinto de sobrevivência, defender a sua soberania, mas as suas capacidades para ultrapassar e perdoar", estima o cronista do jornal sustentando que "19 de Setembro 2002 colocou os fundamentos duma verdadeira nação, dum verdadeiro sentimento nacional e respeito pela soberania da Côte d'Ivoire".
"Do caos para a esperança", sustenta o Nord-Sud, um diário próximo da das Forças Novas (FN, ex-rebelião), que assegura que a Côte d'Ivoire, "mesmo se não está no final dos seus problemas, regressa de longe".
"Os seis anos de guerra, de nem guerra nem paz, que conduziram à pobreza avançada da população, a clivagens internas graves, à ruptura com a comunidade internacional, colocaram os Ivoirienses diante duma escolha.
A entre o renascimento e o caos.
De qualquer lado que esteja, no plano religioso ou político, a imensa maioria dos habitantes desta terra aspira a um futuro alegre num país reconciliado", afirma nomeadamente o jornal.
Por sua vez, o diário independente L'inter balanceia os "seis anos de estragos" e designa os "perigos que espreitam a Côte d'Ivoire".
"No plano social, a nação ivoiriense está totalmente desfigurada pela crise.
Os Ivoirienses empobreceram cada vez mais mas têm esperança de futuros melhores para uma saída de crise prometida mais que ainda não foi obtida (.
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)", sublinhou o jornal.
O L'Inter acrescentou que não se pode ocultar o estado letárgico em que a crise emergulhou a Côte d'Ivoire.
Apesar de algumas melhorias resultantes da aplicação do Acordo político de Ouagadougou, assinado a 4 de Março de 2007 no Burkina Faso, pelos ex-beligerantes ivoirienses, ainda há perigo no país, alertou.
"Vendo bem, as condições áptimas ainda não são reunidas para se organizarem eleições fiáveis e sem risco no solo ivoiriense", explica o L'inter que teme a perspectiva de "escrutinos precipitados até 30 de Novembro próximo susceptíveis de megulhar de novo o país no caos se forem mal organizados".
A noção de estragos é igualmente evocado pelo Notre Voie, um diário próximo da Frente Popular Ivoiriense (FPI, partido no poder), que intitula "Rebelião de 19 de Setembro de 2002/há seis anos, estragou tudo", congratulando-se no entanto com o "Diálogo directo inspirado por Deus e que, segundo ele, "é o melhor de todos os acordos assinados ao longo da crise ivoiriense".
O Le Temps, um outro diário próximo da galaxia patriótica pertecente a Nady Bamba, um parente do chef do Estado, Laurent Gbagbo, celebra por sua vez "a resistência patriótica" que permitiu à Côte d'Ivoire "permanecer de pé".
Com o título "19 de Setembro de 2002/19 de Setembro de 2008 : Seis anos de crise, seis anos de resistência patriótica.
Como a Côte d'Ivoire permaneceu de pé ?", o jornal Bleu publica nomeadamente "A heróica resistência patriótica do povo ivoiriense".
"Eis o que a história contemporânea vai guardar na memória dos Ivoirienses e dos seus dirigentes.
Numa altura em que o mundo inteiro não apostava mais no destino deste país, foi preciso um homem : Laurent Gbagbo que, através do seu apelo heróico, mobilizou o povo soberano da Côte d'Ivoire contra a impostura da França imperialista.
Do lado deste panafricanista verdadeiro, houve mulheres, homens, jovens e velhos provenientes de diversos horizontes, sem distinção de confissão religiosa, nem de região e muito menos de étnia", escreveu o Bleu.
Quanto ao Patriote, diário próximo da Coligação dos Republicanos (RDR, oposição liberal), ele pergunta-se se, "Seis anos depois de 19 de Setembro, Gbagbo quer mesmo a paz ?".
O jornal duvida da vontade do chefe do Estado ivoiriense de organizar eleições que ele sabe que vai perder.
"Vendo bem, é um dado sociológico que nunca sofreu contestação na Côte d'Ivoire.
O sucessor de Guei Robert (em alusão a Gbagbo) permanece largamente minoritário em relação aos seus adversários.
Há uma nítida consciência desta realidade.
Se as eleições forem organizadas com a transparência, nunca ele as ganhará", disse o Bleu.
O jornal referiu-se à posição de muitos analistas que, a seu ver, são formais quando sustentam que "Gbagbo só organizará as eleições quando estiver certo de as ganhar.
Quando e como ele dará este passo são as duas incógnitas do puzzle", concluiu o órgão dos republicanos.

20 Setembro 2008 18:53:00


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