2010, ano do regresso do cinema africano ao festival de Cannes

Paris, França (PANA) – Após 13 anos consecutivos de ausência, o cinema da África Subsariana voltou em Maio de 2010 ao Festival de Cannes com a seleção em competição oficial de "Un homme qui crie" (Um homem que grita ) do Tchadiano Mahamat Saleh Haroun.

Duma duração de 92 minutos, a longa metragem do realizador tchadiano obteve o prémio do Júri da 63ª edição do Festival de Cannes, o maior encontro da sétima arte no mundo.

Logo depois de o palmarés do festival conhecido, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, enviou num correio pessoal as suas "calorosas felicitações" ao realizador  Mahamat Saleh Haroun.

Uma segunda carta  foi-lhe depois enviada pelo Presidente tchadiano, Idriss Déby Itno, que, depois de sublinhar as grandes qualidades do filme, afirmou que ele deve "interpelar mais de um líder africano".

Premiado na 63ª edição do Festival de Cannes, saudada por unanimidade pela crítica, "Um homem que grita" foi depois programado nas mais prestigiosas salas de cinema da capital francesa.

Para o seu quarto filme, o realizador tchadiano escolheu abordar a guerra que mina o seu país com o seu lote de destruições  e de tragédias humanas.

Face à progressão fulgurante das forças rebeldes, o Governo decreta o esforço de guerra que obriga os cidadãos a contribuirem financeiramente ou fornecerem braços válidos para os combates.

Adam, ator principal do filme, incapaz de partiicipar no esforço de guerra, decide enviar à frente Abdel, seu filho que, como ele, se tornou num  salva-vidas da piscina dum grande hotel de N'Djamena. Mas atingido gravemente, durante um ataque inimigo, Abdel sucumbe aos seus ferimentos, deixando atrás dele uma viúva grávida e o filho nunca conherá o seu pai.

Além da sua temática chocante, o sucesso de  "Um homem que grita" deve-se à qualidade narrativa associada aos planos largos e curtos;  a "vozes off" e vozes on", um cenário típico da guerra civil.

Aos 49 anos de idade, Mahamed Saleh Haron mostra uma rica filmografia partindo de "Bye Bye Africa" em 1999 para " Um homem que grita" passando por "Abouna, nosso pai" em 2002 e "Daratt,  estação seca"  em 2006.

-0- PANA SEI/JSG/FK/DD 30Dez2010

30 Dezembro 2010 22:00:59


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