2.000 Ivorienses fogem para Libéria e Guiné-Conakry

Nova Iorque, Estados Unidos (PANA) – Cerca de dois mil cidadãos ivoirienses, maioritariamente mulheres e crianças, deixaram a Côte d’Ivoire para se refugiar em países vizinhos como a Libéria e a Guiné-Conakry na sequência da crise política pós-eleitoral, anunciou sexta-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

A nova crise ivoiriense inciou-se com a recusa do chefe de Estado cessante, Laurent Gbagbo, de deixar o poder no termo da segunda volta das eleições presidenciais de 28 de Novembro próximo cujos resultados foram favoráveis, segundo a Comissão Eleitoral Independente (CEI), ao antigo primeiro-ministro e candidato da oposição Alassane Dramane Ouattara.  

Numa declaração transmitida à PANA em Nova Iorque, o ACNUR indica estar atento ao evoluir da situação em Abidjan e arredores desta a capital económica ivoiriense transformada em capital política de facto. A agência onusina diz igualmente estar preparada para responder positivamente em caso de aumento do êxodo.

Na declaração assinada pelo seu porta-voz em Genebra, Andrej Mahecic, o ACNUR manifesta entretanto a esperança de que os dirigentes políticos ivoirienses resolvam pacificamente a crise para evitar problemas humanitários.

O documento precisa que, até agora, perto de mil e 700 pessoas saídas da Côte d’Ivoire chegaram à região de Nimba no nordeste da Libéria, enquanto um outro grupo de 200 indivíduos se encontram atualmente em Nzerekore, na Guiné-Conakry, “com sinais de exaustão depois de marcharem durante dois dias”.  

“Estes refugiados fugiram todos de aldeias situadas entre as cidades de Danane e Guiglo no oeste da Côte d’Ivoire”, disse Mahecic citando dados fornecidos pelas autoridades governamentais dos dois países de acolhimento segundo os quais o primeiro grupo de Ivoirienses chegou à Libéria em 29 de Novembro, um dia após o escrutínio.

De acordo com Mahecic, os refugiados disseram ao ACNUR terem deixado o seu país como medida de precaução por recearem  instabilidade e violência dada a persistência do impasse político na Côte d’Ivoire.

Os postos fronteiriços continuam a registar novas chegadas de refugiados ivoirienses desde quarta-feira com tendência para aumentar nos próximos se a situação no país não conhecer melhorias, disse  Andrej Mahecic.

-0- PANA AA/VAO/IZ 11Dez2010

11 Dezembro 2010 09:26:17


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