15 mil raparigas quenianas implicadas em turismo sexual

Nairobi- Quénia (pana) -- Mais de 15 mil raparigas quenianas estão implicadas no comércio do sexo com cerca de três mil rapazes que trocam igualmente os seus favores sexuais por dinheiro na indústria do turismo do país, revelou um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
O relatório, divulgado terça-feira, indica que o turismo sexual das crianças está a desenvolver-se no Quénia, particularmente nas cidades turísticas de Mombasa, Malindi, Kilifi e Kwale com cerca de 30 por cento das raparigas com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, atraídas ao comércio sexual pelo dinheiro.
Os quenianos são os primeiros a exercer sevícias sexuais sobre as crianças, seguidos dos turistas italianos, alemães e suíços.
Os turistas ugandeses, tanzanianos classificam-se na quinta e sexta posições, ao passo que os britânicos e da Árabia Saudita ocupam respectivamente o sétimo e oitavo lugares no relatório do UNICEF.
O representante do UNICEF no Quénia, Haimo Laakkonen, disse que a procura de trabalhadores do sexo menores foi estimulada pela ausência duma estratégia de controlo dos pais que renunciaram à sua responsabilidade de se ocupar dos seus filhos.
"Estamos confrontados com um problema monumental mas ainda há esperança.
O UNICEF e várias organizações têm a experiência dos outros países em matéria da redução da procrua e do número de crianças que se apresentam no mercado do trabalho do sexo", disse o responsável onusino durante o lançamento do relatório sobre o turismo sexual.
De acordo com o responsável do UNICEF, as crianças foram atraídas ao comércio do sexo devido à pobreza e ao nível de aceitação de trabalhadores menores "num grupo ligado ao turismo".
"É preciso fazer compreender aos turistas a partir dos seus pontos de origem que o Quénia é uma zona proibida para os exploradores de petizes", sublinhou Laakkonen.
A agência onusina apelou igualmente para uma aplicação estrita do código de conduta turística, obrigando os hoteleiros e o pessoal quenianos a assinalarem qualquer forma de abuso contra as crianças nos seus estabelecimentos.
"É difícil admitir que se trata de factos reais, mas a verdade deve ser dita a fim de salvar as nossas crianças", declarou o Vice- Presidente queniano, Moody Awori, que é igualmente ministro do Interior.
Todavia, garantiu que o Governo queniano já tomou medidas para promover o turismo responsável, sublinhando que "para combater a exploração das crianças quenianas pelos turistas, o Estado pede agora a todos os estrangeiros para declarar o seu endereço residencial no Quénia antes de ser autorizados a entrar no país".
De acordo com o Vice-presidente queniano, esta medida deverá ajudar as autoridades a controlar as actividades dos estrangeiros, acrescentando que "trabalharemos igualmente com outros Governos para os encorajar a cooperar no quadro da promoção dum turismo responsável".

20 Dezembro 2006 12:27:00


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