"Não" de Kadafi à UPM largamente comentado na Líbia

Tripoli- Líbia (PANA) -- A conferência de imprensa do coronel Muamar Kadafi sobre o projecto da União para o Mediterrâneo (UPM), ocorrida na quarta-feira passada em Tripoli, na véspera da reunião constitutiva deste novo agrupamento prevista para domingo próximo na capital francesa, Paris, foi largamento comentada pela imprensa líbia esta semana.
Os jornais líbios sublinharam que o guia Kadafi reiterou a recusa da Líbia de integrar este projecto e de participar de maneira alguma na conferência constitutiva a ter lugar em Paris a 13 deste mês, bem como a sua dedicação à cooperação entre países do sul e norte do Maditerrâneo através do Protocolo 5 + 5 do processo de Barcelona (que envolve, por um lado, no norte da margem do Mar Mediterrâneo, Espanha, França, Itália, Malta e Portugal, e, por outro lado, no sul da margem do mesmo mar, Argélia, Líbia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia).
Os jornais anunciaram a proposta do líder líbio de alargar o processo de Barcelona para o Egipto e a Grécia.
Também incluíram nas suas colunas as declarações do guia Kadafi sobre a necessidade de suprimir a palavra "União" da denominação deste projecto.
Foi igualmente mencionada uma pergunta do líder líbio se "é lógico que os árabes que não são unidos entre eles possam unir-se à Irlândia, aos países bálticos e a Israel ?".
Os jornais comentatam várias divergências radicais entre as duas partes (a margem sul e norte do Mediterrâneo) do ponto de vista cultural, religioso, linguístico e político.
Também foi referenciada a maneira como a Europa se opôs à primeira versão da iniciativa de Sarkozy rejeitando a partilha da Europa com a entrada da sua parte sul numa união com os países do sul do Mediterrâneo.
Partilhando a opinião do líder líbio, a imprensa líbia estimou que a UPM vai dividir a África prejudicando os fundamentos da União Africana (UA).
A imprensa líbia insistiu também no aviso do líder Kadafi para as divergências que possam derivar deste projecto para a Liga Árabe.
A UPM vai acentuar a emigração clandestina, o terrorismo dando assim pretextos aos extremistas islamitas que poderão interpretar este projecto como uma nova cruzada contra o Islão, adverte a imprensa libia.

12 Julho 2008 22:02:00


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