Doença desconhecida em São Tomé identificada como Celulite Necrotizante

São Tomé, São Tomé e Príncipe (PANA) - As autoridades sanitárias em São Tomé e Príncipe revelaram quinta-feira que a doença sem nome que afeta o arquipélago desde outubro de 2016, com cerca de dois mil casos já registados, foi identificada como "Celulite Necrotizante".

De acordo com a diretora dos Cuidados Primários de Saúde, Maria Tomé Palmer, as pesquisas médicas concluíram que Celulite Nicrotizante é o nome da doença que já levou as quase duas mil pessoas a procurarem assistência médica nos centros de saúde nacionais e no hospital Ayres de Menezes, o maior do arquipélago.

Não obstante ter-se conseguido apurar o nome da doença, uma equipa de quatro especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) trabalha com médicos são-tomenses para encontrarem o agente patológico para se determinar um tratamento eficaz para a cura da Celulite Nicrotizante, disse.

Palmer esclareceu que a doença não tem afetado um grupo exclusivo de pessoas, ou classe, e reforçou que, até que se conheça o seu agente patológico, os São-tomenses devem redobrar de esforços de higiene.

Antes da sua identificação, a enfermidade já esteve na origem de um estrondoso conflito entre o Governo e a oposição são-tomense, depois da visita desta última ao Hospital Ayres Menezes onde estavam internadas algumas das primeiras vítimas da doença.

O Governo indignou-se contra a visita que considerou um pretexto para manchar a credibilidade do Executivo e incitar convulsões sociais.

Afirmando que a visita "não foi permitida", o Governo indicou que a mesma foi realizada "de forma selvagem porque não obedeceu a quaisquer critérios”.

Por seu turno, a oposição pediu a responsabilização criminal dos responsáveis da Saúde do arquipélago pelas vulnerabilidades do setor, a seu ver, que estariam na origem da doença então desconhecida e quando  já vitimou oito Santomenses e afetou duas mil pessoas, soube-se de fonte oficial em São Tomé.

Segundo o deputado Jorge Amado, do MLSTP/PSD (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe), o sistema de saúde nacional está vulnerável e não existem medicamentos no maior hospital de São Tomé, o “Ayres de Menezes”.

"A saúde pública não está a funcionar, o país vai mal e os altos responsáveis da Saúde devem responder criminalmente e nós vamos trabalhar para isso”, declarou Jorge Amado.

Citou como exemplo a carência de reagentes laboratoriais e antibióticos que impede os técnicos de desenvolver trabalhos de pesquisa e de medicar os pacientes portadores de uma espécie de “úlcera” até agora desconhecida que já afetou cerca de duas mil pessoas.

Para o político, esta doença, que para além de já ter feito os oito óbitos mantém 40 pessoas internadas no Ayres de Menezes, "é resultado da imundice que prolifera por vários cantos da cidade de São Tomé".

Jorge Amado sublinhou que, em determinados pontos da capital, "cheira excremento humano”, uma das situações que, no seu entender, "contribuem para o surto de doenças a que estamos assistir e outras que poderão surgir mais tarde.

O deputado do MLSTP/PSD, principal partido da oposição, falava no termo de uma visita que efetuou à unidade hospitalar na companhia de colegas seus do Partido da Convergência Democrática (PCD) e da União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD).

A visita seguiu-se ao indeferimento pelo presidente do Parlamento de um pedido de auscultação da ministra da Saúde pelos deputados.


-0- PANA RMG/IZ 03março2017

03 Março 2017 23:07:18


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