Índice de pobreza baixou em Moçambique, segundo governo

Maputo- Moçambique (PANA) -- O governo moçambicano está em condições de atingir os seus objectivos em matéria de redução da pobreza, de acordo com os dados avançados terça-feira pela primeira-ministra Luisa Diogo.
No quadro do Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA), o objectivo era de reduzir a incidência da pobreza para cerca de 70 por cento (1997), para 60 por cento até 2005 e 50 por cento em 2010.
Citando os resultados (recentemente publicados) de um estudo sobre os lares realizado em 2002/2003 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Diogo disse perante o Parlamento que a incidência da pobreza já baixou para 54,1 por cento.
Segundo a chefe do governo, estas estatísticas, mais as registadas num recente estudo sobre a demografia e a saúde igualmente levada a cabo pelo INE "revelam que estamos num bom caminho".
No quadro dos esforços para a redução da pobreza, "o investimento na educação representa cerca de 20 por cento do total das despesas públicas e com o crescimento geral das despesas públicas, o valor real das despesas consagradas à educação está em alta", explicou.
O desenvolvimento da educação primária ultrapassou largamente os objectivos do PARPA, afirmou o primeiro-ministro.
Entre 1999 e 2003, o número de alunos no primeiro nível da educação primária passou de 2 para 2,8 milhões e a matrícula no segundo nível da educação primária duplicou no mesmo período, de 187 mil para 355 mil.
A mesma tendência pôde ser observada no ensino secundário, embora as cifras permaneçam muito fracas, 66 mil alunos em 1999, contra 141 mil em 2003, disse.
O número de alunos no ciclo pré-universitário aumentou de 8350 para 18290.
Por outro lado, Diogo assinalou que o número de alunos cuja escola primária dista menos de uma hora de marcha cresceu de 74,9 para 91,7 por cento, entre 1999 e 2003.
O número de docentes saídos das escolas de formação passou de 1155 em 1999, para 5219 no ano passado.
"O analfabetismo é uma das principais causas da pobreza", explicou Diogo.
Todavia, as estatísicas revelam uma baixa da taxa de analfabetismo de 60,5 por cento (recenseamento de 1997) para 53,6 por cento em 2003.
"Esperamos reduzir a taxa de analfabetismo de 50 por cento este ano", prosseguiu a primeira-ministra.
Em 2003, havia no país 3570 instituições de ensino de adultos frequentadas por 550 mil estudantes dos quais 58 por cento mulheres.
Segundo Luisa Diogo, trata-se de uma forte progressão em relação aos 60 mil recenseados em 2000.
Quanto à saúde, Luisa Diogo considera que a construção de novos estabelecimentos hospitalares rurais e outros serviços de saúde significa que a percentagem da população rural com acesso a um serviço de saúde por menos de uma hora de marcha passou de 40,1 por cento para 54 por centro entre 1997 e 2003.
A cobertura no quadro do Programa Alargado de Vacinação, destinado a imunizar as crianças durante os dois primeiros anos de vida, as crianças do primeiro ciclo do ensino primário e as mulheres em idade fértil, contra as doenças evitáveis, subiu de 47 por cento em 1997, para 63 por cento em 2003.
No respeitante à primeira doença mortal no país, o paludismo, Diogo disse que, no ano passado, 901 mil casas foram desinfectadas com insecticidas, o que assegura assim, uma certa protecçao contra os mosquitos a cerca de 4,5 milhões de pessoas.
Mais de 300 mil mosquiteiros impregnados foram distribuidos em 2003, elevando a mais de 600 mil o número de redes distribuidas desde 1999.
O governo foi igualmente muito activo na luta contra a SIDA, com a abertura de quatro Centros de Aconselhamento e Tratamento Voluntário (CATV) em 2003, segundo ainda a primeira-ministra.
Mais de 200 mil pessoas solicitaram sigilo a estes centros para fazer um teste de despistagem do HIV.
Cerca de 26 por cento desses testes revelaram-se seropositivos "o que demonstra a gravidade da pandemia", sublinhou Diogo.

31 Março 2004 20:10:00


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