África pede maior representação em reuniões do G-20

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Os líderes africanos, que estarão reunidos em cimeira no próximo fim-de-semana, em Addis Abeba, na Etiópia, vão reclamar por uma melhor representação do continente no Grupo dos 20 (G-20) durante reuniões sobre a crise económica mundial, soube-se segunda-feira da Comissão da União Africana (CUA).
Segundo o presidente desta Comissão, Jean Ping, os líderes africanos que agendaram uma sessão especial sobre a crise económica mundial convidaram o ministro britânico do Desenvolvimento para a sua reunião anual de Addis Abeba para analisar a inclusão de África naqueles encontros.
"Pedimos que fôssemos aceites como partipantes na reunião do G-20 a ter lugar em Londres (Inglaterra), pelo que convidámos o ministro britânico do Desenvolvimento para se discutir o assunto durante esta reunião de Addis Abeba", disse Ping numa entrevista exclusiva à PANA a propósito da cimeira da UA de 1 a 3 de Fevereiro próximo.
A nível do G-20, que agrupa os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais de 20 economias - incluindo 19 das maiores economias do mundo e a União Europeia (UE), África tem apenas um assento, a África do Sul enquanto economia mais próspera do continente.
O Reino Unido quer aproveitar a cimeira de Londres do Grupo das 20 maiores economias, a que vai presidir em Abril, para obter uma cooperação internacional sobre as reformas financeiras, a expansão económica e a criação de empregos como resposta à recessão mundial.
Os líderes africanos exprimiram a preocupação de que a crise financeira mundial e a recessão económica que ela provocou vão afectar a prosperidade económica do continente.
As Nações Unidas advertiram recentemente que os Estados africanos poderão sofrer muito da recessão económica, sobretudo se se considerar que a maioria dos Estados africanos têm contas estrangeiras em dólares americanos.
A falência bancária nos Estados Unidos enviou uma série de choques a África e o valor das reservas em divisas do continente poderá ser muito fraco se a crise financeira persistir.
A crise financeira mundial deverá provocar uma desaceleração do crescimento económico em África, que depende das enormes somas de dinheiro transferidas pelos seus cidadãos estabelecidos no estrangeiro.
Os grandes mercados bolsistas africanos, principalmente no Egipto, na África do Sul, na Tunísia, no Quénia e na Nigéria, registaram fortes diminuições nos últimos meses de 2008, ao passo que os investidores estrangeiros se retiraram desses mercados para cumprir as suas obrigações financeiras no Ocidente, devido ao impacto da crise mundial do crédito.
Não foram precisadas as exigências a serem precisamente levantadas pelos líderes africanos durante a sua reunião.
Na abertura da reunião do Comité dos Representantes Permanentes (COREP), segunda-feira, o embaixador tanzaniano, Mohamed Maundi, declarou que a pobreza representava um desafio sério para África, particularmente no contexto da crise financeira mundial.
"A pobreza e o subdesenvolvimento levantam um problema sério, particularmente, no contexto da crise financeira mundial", declarou o diplomata tanzaniano, que preside à reunião dos embaixadores da Comissão da União Africana, na abertura dos debates segunda-feira.
Segundo ele, as perspectivas económicas do continente para este ano não são tão encorajadoras e que, devido à recessão económica mundial, espera-se em África diminuições dos preços das matérias-primas, das transferências de dinheiro, dos fluxos de investimentos e das chegadas dos turistas internacionais", indicou o embaixador da Tanzânia junto da União Africana.

26 Janeiro 2009 19:28:00




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