África incapaz de manter reformas socioeconómicas - BAD

Sirtes- Líbia (PANA) -- A incapacidade de aprofundar e manter as reformas socioeconómicas e políticas constitui um dos principais desafios a enfrentar pelos países africanos, deplorou o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Omar Kabbaj.
A reforma da governação, que prioriza os sectores judicial e financeiro, assim como as medidas para a luta contra a corrupção garantindo direitos de propriedade mais sólidos são "essenciais" para melhorar o ambiente do sector privado e estimular o crescimento, disse o presidente do BAD.
"Tais reformas são igualmente necessárias se se quiser reduzir a pobreza e progredir para os ODM (Objectivos de Desenvolvimento do Milénio)", declarou Kabbaj numa comunicação à quinta cimeira ordinária de chefes de Estado da União Africana agendada para 4 a 5 de Julho em Sirtes.
Afirmou que 2004 foi um ano "excepcional" para África, tendo sido registadas a maior taxa de crescimento média do Produto Interior Bruto (PIB) em oito anos e a mais baixa taxa de inflação em mais de duas décadas.
Embora factores externos favoráveis tenham contribuído para este crescimento, Kabbaj disse ser necessário reconhecer uma melhoria da gestão macroeconómica dos países africanos.
O presidente do BAD sublinhou que, apesar destes desenvolvimentos positivos, os países africanos continuam confrontados com a miséria, com a insegurança alimentar, com uma elevada taxa de analfabetismo, com um acesso limitado à água potável e com um saneamento inadequado, para além do HIV/Sida e do paludismo que ainda não foram dominados.
Kabbaj explicou que os níveis actuais da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) "estão ainda longe" de satisfazer as necessidades dos países africanos para realizar os ODM.
Apelou, consequentemente, aos doadores para elevar a APD para níveis exigidos e melhorar a qualidade destes financiamentos.
Indicou que a décima reconstituição do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD), com 5,4 biliões de dólares americanos para o período 2005-2007 vai permitir a duplicação dos recursos para os projectos multinacionais.
O presidente do BAD disse que este montante do FAD, o mais elevado da história da instituição bancária, permitirá também o aumento dos fundos de subvenção com mais da metade dos países beneficiários que doravante vão receber uma assistência do FAD sob forma de subvenções.

05 Julho 2005 17:08:00




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