África cria condições para produzir medicamentos genéricos

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Enquanto a maioria das suas populações devem fazer face ao flagelo das doenças sem ter acesso a medicamentos adequados e baratos, os países africanos tomam medidas decisivas que vão desembocar na produção local de medicamentos genéricos essenciais no continente.
O plano de fabricação de produtos farmacêuticos para África tanto esperado será revelado em Addis Abeba durante a reunião inaugural do Comité Técnico da União Africana (UA) encarregue de o instaurar, anunciou terça-feira a Comissão da UA.
Na Cimeira de Abuja em Janeiro de 2005, os dirigentes africanos delegaram a Comissão da UA para elaborar este plano no quadro da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD).
De acordo com a Comissão, os peritos designados pelos 12 Estados membros que formam o comité técnico vão reunir-se de 24 a 26 de Outubro de 2007 para examinar o plano nas suas grandes linhas, entre outros procedimentos necessários.
O comité deve apresentar um plano de acção detalhado aos ministros da Saúde da UA seis meses após o seu lançamento.
Os países membros do comité, seleccionados numa base regional, são o Egipto e a Líbia (África do Norte), o Gana, a Nigéria e o Senegal (África Ocidental), o Burundi, os Camarões e o Gabão (África Central), o Quénia e a Etiópia (África Oriental), bem como Angola e a África do Sul (África Austral).
Em conformidade com a decisão da Cimeira, a Comissão da UA anunciou que efectuava um recenseamento das capacidades de produção de medicamentos no continente, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além disso, o Comité Regional da OMS para África adoptou duas resoluções que salientam a produção local de medicamentos essenciais e remédios tradicionais africanos.
Enquanto sistemas de abastecimentos de medicamentos pouco fiáveis continuam a impedir o acesso aos medicamentos, parece que a produção local vai permitir poupar divisas, criar empregos, reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento social.
Por outro lado, o desenvolvimento da indústria farmacêutica africana vai facilitar a transferência de tecnologias, estimular as exportações e reforçar a auto-suficiência em abastecimento medicamentoso utilizando matérias-primas disponíveis localmente.
Vários países africanos dependem da Índia e da China para as suas importações de medicamentos genéricos a baixo custo e de matérias- primas, sublinhou a Comissão da UA.
"A direcção da UA engaja-se em garantir o acesso aos medicamentos essenciais aos países que necessitam, independentemente do seu nível de desenvolvimento tecnológico e das suas capacidades de produção", indica a Comissão.
Uma avaliação da produção local na região África da OMS indica que em 46 países, 37 têm indústrias farmacêuticas, 34 têm um nível de produção secundária e 25 uma produção terciária.
Apenas um país tem uma produção primária limitada, enquanto nove não têm capacidade de produção.
Embora nenhum país seja inteiramente auto-suficiente em produtos farmacêuticos, a balança comercial negativa da maior parte dos países do continente é um assunto inquietante.
Tendo em conta que a produção farmacêutica é exigente em investimentos e em meios tecnológicos, analistas sublinham que uma perícia técnica é absolutamente essencial, tanto em termos de número como de competências.
África deverá, por conseguinte, investir na formação de diversos cientistas qualificados em Biologia, Química, técnicas de transformação, técnicas médicas, Bioquímica, ciências bio- electrónicas, Física e ciência farmacêutica e formar clínicos.
Os analistas indicam, contudo, que a produção local poderá não provocar imediatamente uma poupança em divisas, porque os equipamentos de produção, o material de laboratório e os reagentes serão importados e pagos em divisas.

10 Outubro 2007 12:55:00


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