África Central pede libertação de jornalistas tchadianos

Yaoundé- Camarões (PANA) -- A União dos Editores de Imprensa da África Central (UEPAC) e a União dos Jornalistas Camaroneses (UJC) acabam de exigir a libertação "imediata e incondicional" dos jornalistas tchadianos Samory Ngaradoumbé e de Garondé Djarma.
Num comunicado publicado terça-feira, as duas organizações manifestam a sua viva repugnação contra esta "ressurgência da repressão contra a imprensa livre no Tchad".
Na nota, exigem igualmente a cessação da perseguição e curso contra o também jornalista tchadiano Michaël Didama ou qualquer outro membro da classe no exercício da sua profissão.
De acordo com elas, esta vaga de repressão contribui, obviamente, para o enfraquecimento das bases económicas das empresas jornalísticas já confrontadas com dificuldades para sobreviver num contexto hostil ao seu desenvolvimento.
Denunciam a instrumentalização da Justiça para intimidar a imprensa tchadiana, numa altura em que "vários países africanos se inscrevem na lógica da despenalização dos delitos de imprensa".
A UEPAC e a UJC convidam assim as autoridades tchadianas ao estrito respeito do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos bem como de todas as outras convenções internacionais garantes do livre exercício da profissão de jornalista e de que o Tchad é signatário".
Samory Ngaradoumbé, coordenador do semanário "L'Observateur" de N'Djamena, foi condenado a três meses de prisão e a uma multa de 100 mil francos CFA (195 dólares americanos) por publicar uma carta aberta enviada ao Presidente Idriss Deby pela comunidade Kreda exigindo a libertação dos seus membros.
Garondé Djarma, por seu turno, foi condenado a três ano de prisão e a um milhão de francos CFA (mil e 950 dólares americanos) de multa, por um editorial que redigiu no "L'Observateur" onde criticava o Presidente tchadiano e uma controversa emenda que autorizava o chefe de Estado a cumprir um terceiro mandato à frente do país.
Um terceiro jornalista, Michaël Didama, director do semanário "Le Temps" está actualmente a ser julgado no Tchad.
Detido a 22 de Junho último por "difamação e incitação à violência, ao ódio e à rebelião", Didama foi posto em liberdade provisória a 11 de Julho.
Os seus problemas com a Justiça remontam à publicação, em Maio passado, de uma série de reportagens sobre supostos grupos rebeldes no leste do país, bem como sobre massacres que teriam decorrido na mesma região.
O Ministério Público teria requerido recentemente uma pena de 18 meses contra ele.

27 Julho 2005 11:40:00




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